The Little Prince
“Goodbye, said the fox. And now here is my secret, a very simple secret. It is only with the heart that one can see rightly. What is essential is invisible to the eye.”
“Goodbye, said the fox. And now here is my secret, a very simple secret. It is only with the heart that one can see rightly. What is essential is invisible to the eye.”
Em tempo: Eu não entendo a mente humana. Quanto mais estudo, mais entendo que somos maldosos uns com os outros. Quanto mais vivo, mais percebo que alguns de nós adoram essa maldade. Sim, estou solteira. Os dias estão sendo mais longos do que o normal, a vida mudou realmente. Muita gente detestaria sair do conforto da casa, daquilo que teoricamente é o normal. Eu estou adorando. Estou tendo a maravilhosa oportunidade de passar mais tempo com minha família, minha filha e eu estamos muito mais unidas e eu me reaproximei da minha mãe. Ao contrário do esperado, eu só tenho a agradecer o tempo cedido. Foram meses com acontecimentos complicados e eu realmente só tenho a agradecer. Depois de toda a tempestade ir embora, depois que a poeira abaixou, o que fica é a gratidão e a sensação de paz interior. Minha filha foi muito bem tratada, amada e paparicada. A pequena amou e tenho plena convicção de que foi amada também. Ela foi feliz, e pra mim é o que basta, minha filha feliz. É o que basta para qualquer mãe. Quanto a mim.. bem.. foram muitos erros, assumo todos os cometidos por mim e espero um dia ser perdoada pelos mesmos. Ninguém erra do nada, as pessoas que erram só erram pq estão em constante aprendizado e em constante modificação em prol de uma vida melhor. Quem não faz nada não erra. Teoricamente, quem não faz nada é perfeito. Quem não se arrisca é que é certo, não sofre e não se deixa abalar. Os erros não cometidos por mim eu já perdoei e a vida continua, por mais difícil e doloroso que seja, a vida tem que continuar.. the show must go on, inside my heart is breaking my make-up may be flaking but my smile, still stays on.
Tudo era apenas uma brincadeira
E foi crescendo, crescendo, me absorvendo
E de repente eu me vi assim completamente seu
Vi a minha força amarrada no seu passo
Vi que sem você não há caminho, eu não me acho
Vi um grande amor gritar dentro de mim
Como eu sonhei um dia
Quando o meu mundo era mais mundo
E todo mundo admitia
Uma mudança muito estranha
Mais pureza, mais carinho mais calma, mais alegria
No meu jeito de me dar
Quando a canção se fez mais clara e mais sentida
Quando a poesia realmente fez folia em minha vida
Você veio me falar dessa paixão inesperada
Por outra pessoa
Mas não tem revolta não
Eu só quero que você se encontre
Saudade até que é bom
É melhor que caminhar vazio
A esperança é um dom
Que eu tenho em mim, eu tenho sim
Não tem desespero não
Você me ensinou milhões de coisas
Tenho um sonho em minhas mãos
Amanhã será um novo dia
Certamente eu vou ser mais feliz

Nós bebemos demais, gastamos sem critérios. Dirigimos rápido demais, ficamos acordados até muito mais tarde, acordamos muito cansados, lemos muito pouco, assistimos TV demais e raramente estamos com Deus. Multiplicamos nossos bens, mas reduzimos nossos valores. Nós falamos demais, amamos raramente, odiamos frequentemente. Aprendemos a sobreviver, mas não a viver; adicionamos anos à nossa vida e não vida aos nossos anos. Fomos e voltamos à Lua, mas temos dificuldade em cruzar a rua e encontrar um novo vizinho. Conquistamos o espaço, mas não o nosso próprio. Fizemos muitas coisas maiores, mas pouquíssimas melhores. Limpamos o ar, mas poluímos a alma; dominamos o átomo, mas não nosso preconceito; escrevemos mais, mas aprendemos menos; planejamos mais, mas realizamos menos. Aprendemos a nos apressar e não a esperar. Construímos mais computadores para armazenar mais informação, produzir mais cópias do que nunca, mas nos comunicamos cada vez menos.
Estamos na era do ‘fast-food’ e da digestão lenta; do homem grande, de caráter pequeno; lucros acentuados e relações vazias. Essa é a era de dois empregos, vários divórcios, casas chiques e lares despedaçados. Essa é a era das viagens rápidas, fraldas e moral descartáveis, das rapidinhas, dos cérebros ocos e das pílulas ‘mágicas’. Um momento de muita coisa na vitrine e muito pouco na dispensa. Uma era que leva essa carta a você, e uma era que lhe permite dividir essa reflexão ou simplesmente clicar ‘delete’.
Lembre-se de passar tempo com as pessoas que ama, pois elas não estarão aqui para sempre. Lembre-se dar um abraço carinhoso em seus pais, num amigo, pois não lhe custa um centavo sequer. Lembre-se de dizer ‘eu amo você’ à sua companheirae às pessoas que ama, mas, em primeiro lugar, se ame.. se ame muito.
Um beijo e um abraço curam a dor, quando vêm de lá de dentro.
Por isso, valorize quem ama você, sempre.

E aí meu pai morreu. E não tem um dia que eu deixo de pensar nele, no hospital, na minha mãe, no desespero que senti quando ouvi “ele morreu”, na dor latente quando cheguei no velório e o corpo dele já estava lá. Fiquei o tempo todo ali, do lado dele, como se ele estivesse lá, como se fizesse alguma diferença o fato de eu estar ali. Como se fizesse diferença at all. As pessoas dizem que preciso seguir em frente, as pessoas dizem que preciso esquecer, que preciso lidar melhor com a situação, que preciso ficar perto da minha mãe. Concordo.
Juro que tenho tentado com todas as minhas forças, levanto todos os dias e vou acordar minha filha, faço café da manhã, levo na escola e no caminho de volta, quando estou sozinha a dor me pega. Me pega de jeito e não me larga. Estou num estado entorpecido desde o dia 14 de outubro. Nesse meio tempo tanta coisa aconteceu, tanta gente veio falar comigo e eu nem sequer me lembro de todas. Eu fico falando que estou bem, tento sorrir para as fotos, tento seguir em frente. Eu estou tentando.
Hoje acordei cedo, chorei quase a manhã toda. Chorei por tantas coisas, e a dor não foi embora. E ninguém nota, às vezes acho que sou invisível, ou manhosa, ou as duas coisas. Decidi ficar bem. Fui assistir desenho com a pequena, fiz almoço, fato que me deixou orgulhosa de mim mesma visto que não possuo dotes culinários, consegui arroz, feijão temperado e frango à milenesa à parmegiana. A questão é: se eu decidi ficar bem pq ainda estou chorando? Pq ainda dói? São tantas as dores, tantas feridas, tantas.
Preciso de colo, carinho e paciência, mta paciência.

“Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os defeitos pode ser perigoso - nunca se sabe qual o defeito que sustenta nosso edifício inteiro…há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo. Quase quatro anos me transformaram muito. Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo interesse pelas coisas. Você já viu como um touro castrado se transforma em boi. Assim fiquei eu… para me adaptar ao que era inadaptável, para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus grilhões - cortei em mim a forma que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também a minha força. Ouça: respeite mesmo o que é ruim em você - respeite sobretudo o que imagina que é ruim em você - não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse seu único meio de viver. Juro por Deus que, se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia ia ser punida e iria para um inferno qualquer. Se é que uma vida morna não é ser punida por essa mesma mornidão. Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma. Gostaria mesmo que você me visse e assistisse minha vida sem eu saber. Ver o que pode suceder quando se pactua com a comodidade da alma”.
Clarice Lispector

Preciso ficar sem falar esses dias; parte por recomendação alheia, parte por vontade própria mesmo. Já percebi o quanto é difícil para alguém como eu ficar calada. É da minha natureza pensar demais e ter sempre opinião sobre alguma coisa, ter sempre algo a dizer. É aonde mora o exercício. Não emitir opinião sobre nada, não interagir verbalmente com ideias propostas, deixar os diálogos ao meu redor acontecerem sem interferências minhas. Bem difícil.
Estou olhando pelo lado catártico: às vezes encho o saco de mim mesma justamente por essa característica de ter sempre “aquela velha opinião formada sobre tudo”; e esses dias de silêncio me ensinarão como quebrar esse paradigma, e como não obedecer aos meus impulsos verbais. Espero descobrir alguma coisa nova. Fato é; não falarei, e já senti que precisarei escrever mais do que o normal. Natural que seja assim. De alguma forma preciso dar vazão aos pensamentos, senão enlouqueço. Precisam sair de algum jeito, não dá para mantê-los todos aqui dentro porque eles são muitos e não cabem nesse cérebro minúsculo. Se os deixo aqui, ficam apertados, espremidos, sufocados e confusos. Embolam-se uns nos outros. Atropelam-se. E começam a guerrear entre si por pura falta de espaço.
Acho mais divertido e possível encarar esse mundo patético, nonsense e estaparfúrdio tomando algo aqui e ali. Preciso desse escapismo de vez em quando pra conseguir sobreviver sem me tornar uma megera deprimida e insuportável. Para aguentar essa pantomima chamada humanidade, só estando umas três doses à frente dela. Porquê não sei ao certo, mas é assim. Talvez seja por conta de abrir os jornais todos os dias e se deparar com notícias impensáveis, de violência, ignorância; ou simplesmente para tentar por alguns instantes se desvencilhar da sensação de tédio e marasmo que permeia uma vida, digamos, correta. Acordar. Cumprir suas obrigações. Dar bom dia às pessoas. Tentar fazer algum dinheiro, pagar as contas. Chegar de noite sabendo que mais um dia na sua vida se passou, e você simplesmente.. cumpriu. Diariamente. Todo dia. Desesperador. Por isso as eventuais fugas dessa rotina, por isso a necessidade de, em certos momentos simplesmente dar risada de algo bem idiota com os amigos, chorar, esquecer por alguns instantes todo o peso do mundo e quem você acha e finge que deve ser, e as cobranças. Por isso, de vez em quando, perder o controle. Já descobri: se não me permito enlouquecer de vez em quando, fico louca de verdade. Não saberia viver somente da parte regrada da vida, é o desequilíbrio que enfim me equilibra.
Existem todas as questões que acompanham este estilo de vida que escolhi. O padrão aceitável como “bom” parece ser o de se pensar a longo prazo; para se ter uma vida longa e saudável é necessário que ela seja contida, calma, sem grandes excessos. A matemática parece ser esta: quanto mais intensidade, mais brevidade. Tenho preferido o rápido e intenso ao longo e chato. Imediatismo, eu sei. Não posso evitar. De que me adianta viver cem anos me privando de tudo que considero prazeroso? Cem anos de tédio, de calmaria? Deus me livre. Portanto, o equilíbrio. Não quero os cem; quero os que tiverem que vir desde que eu não precise abrir mão dos meus pequenos prazeres. Mas também não quero gastar tudo de uma vez a ponto de não brincar nem metade da brincadeira. Então meu jogo tem sido transitar entre o que eu preciso e o que eu gosto, entre as responsabilidades e as noites em claro, entre os exercícios físicos e o saquê. Sagitarianamente descobrindo e experimentando esses limites. É de nós, é do ser humano. Somos compulsivos e precisamos de válvulas de escape. Pra uns é a comida, o consumismo, o sexo ou as drogas. Para outros é a religião, o vício na endorfina proveniente dos esportes, o fanatismo. Qualquer coisa que nos alivie e nos traga essa (falsa?) ilusão de conforto. Todas essas coisas são formas de escapismo e podem ser boas e ruins.
Só depende do jeito e da dose.
“Ela vem e te devasta, leva tudo o que você tem. Dilacera profundamente a mente e os sentimentos e ninguém vai entender o que é isto ou o porque daquilo. Ninguém vai entender o motivo de ser tão forte e incontrolável porque eu mesma não entendo e já cansei de tentar entender. Já cansei de tentar ser alguém melhor, estou tentando simplesmente SER, o que, às vezes, é demais para mim. Não faz sentido, não é racional, muitas vezes nem mesmo sensato o que sinto. Mas é simplesmente o que sinto. O que faço com esses sentimentos? Jogo fora, anulo-me talvez com a intenção de agradar a outros? Mas será que esses outros estão preparados para parar e olhar para mim e todas as dificuldades que passei para chegar até aqui? Sinceramente acho que não, mesmo porque nunca iremos agradar, sempre irá faltar algo. Estou confusa com minha mente, com meus pensamentos e estou completamente carente. Carente de alguém que se encoste ao meu lado apenas pra me dizer: talvez você tenha razão ou eu te entendo amiga! Tudo volta, luto sozinha contra meus demônios como sempre lutei e parece que a acada minuto fica mais difícil, quando tudo o que eu queria apenas era ouvir uma boa música.. sem pensar em nada.. sem ter com o que me preocupar!”

Detesto ser procurada apenas quando o trabalho é árduo e minha competência é notória. Para certas coisas eu sirvo muito bem, mas para outras eu simplesmente não existo.
Todos os dias quando acordo penso se será um dia produtivo, penso se será um dia que aprenderei alguma coisa nova. Todos os dias quando saio da cama para acordar minha princesa, me nutro de pensamentos positivos e a chamo com a maior delicadeza do mundo. Ela finge que não me ouve, resmunga, se enrola toda no edredom roxo; até que abre os olhos, me dá um sorriso angelical e me diz ‘bom dia, mamãe!’. Faço mamadeira, pão com geléia de morango; me nutro de pensamentos positivos novamente e chamo meu querido com a maior paciência do mundo. Ele finge que não me ouve, resmunga, se enrola todo no edredom verde musgo; até que abre os olhos, me dá um sorriso maroto e me diz ‘bom dia, linda!’. Faço chá ou café, levo jornal na cama e vou me trocar. Ele enrola um bocado até sair da cama, preciso chamá-lo mais quatro ou cinco vezes, até que ele levanta e vai com passos pequenos e lentos ao banho.
Estive pensando sobre essa pequena rotina diária; estive pensando que seria interessante ser acordada assim todos os dias.. Mas quem irá acordá-los se eu não o fizer? Quem irá passar geléia de morango no pão para a Ana Clara ou levar o jornal para o Neto? Esses mimos são vitais para que se comece o dia bem. Sinto que também mereço algo assim, mas não é por isso que deixarei de fazer para quem amo.
Todos os dias quando acordo não tenho mais o tempo que passou e me sinto velha, sinto que meu corpo está dando sinais de que os temíveis trinta anos estão chegando. Gosto da minha idade, gosto de quem sou, mas confesso que chegar aos trinta anos me aterroriza. Gostaria de ser como a Raquel, uma ex-chefe, que no alto de seus quarenta e tantos anos é dona de uma beleza exemplar e um corpo de dar inveja em muitas menininhas por aí. Hoje estou com vinte e nove anos. Vinte e nove anos de feminilidade. Foi aos treze que descobri meu lado saliente, foi aos treze meu primeiro beijo.. lembro até hoje da vergonha que fiquei e confesso que não escolhi o melhor mocinho de todos para beijar. Ele era namoradinho da minha prima e nos beijamos na cozinha da casa dela, sim foi terrível!
Eu fui uma adolescente terrível, dei muito trabalho. Minha mãe não gostava de me deixar sair, então era na escola que fazia inúmeras vítimas. Fiz tantas inimizades nessa época, transformei em inimigas mortais tantas meninas legais que poderiam ser minhas amigas. Eu era sapeca, tinha uma garota, Gabriela, ela namorava um garoto que não tirava os olhos de mim. Um dia eu soube que, por um motivo obscuro, a garota não gostava de mim; “então agora ela vai ter uma boa razão para não gostar de mim” pensei. Comecei a retribuir os olhares de Bruno e antes de uma semana, o garoto estava me acompanhando até em casa. Não demorou muito para ele e a Gabriela terminarem e também não demorou muito para todos da escola saberem que estávamos juntos, demorou menos ainda nosso rolinho. Perdeu a graça ficar com o Bruno, terminei com ele e ele voltou pra ela. Final feliz para todo mundo, mas quinze anos depois, a menina ainda me odeia. Confesso que também me odiaria.
Hoje, mais madura e em meu segundo casamento, eu vejo tantas meninas como eu era. São tantas garotas de seus vinte e poucos anos que fazem a mesma coisa que eu fazia, sinto tanta pena, me dá vontade de pegar pelo braço e dar um chacoalhão pra ver se acorda para a vida. Existe muito mais diversão do que tirar o homem alheio; existe vida sem ser flertar com pessoas comprometidas, existe sim esperança pra esse tipo de garota. Eu vejo nessas meninas, a mesma arrogância, prepotência e petulância que havia em mim; vejo os mesmos olhos carregados de maquiagem, vejo as mesmas saias curtas e blusas decotadas. O que falta nas meninas de hoje é o cérebro, para cada trinta garotas dessas, uma tem inteligência maior do que uma criança de três anos.
Eu me arrependo amargamente por ter sido tão perversa com meninas e tão malvada com meninos e é esse o futuro dessas moças de hoje: o arrependimento.Claro que existem aquelas que passam dos trinta e continuam no jogo. É desse tipo que eu tenho mais pena ainda, conheço uma pessoa nessa faixa etária e ainda insiste em ser vulgar e se insinua, na mais desesperada tentativa de conseguir atenção masculina. Acredito que todos podem mudar e acredito sim que existe alguém que se encaixe no seu modo de ser e viver.
Basta regar suas flores, deixar que elas floresçam e aguardar a colheita.
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